Tocar o Shofar é uma parte inseparável da atmosfera dos Dias Temíveis e das Grandes Festas.

O Chifre de Carneiro

O Shofar é feito, usualmente, de chifre de carneiro. O carneiro é uma ovelha masculina de, pelo menos, um ano de idade. Shofars excepcionalmente retorcidos e longos, como aqueles populares entre os judeus iemenitas, são feitos de chifres de antílope, animal que vive na beirada do deserto africano.

Alguns dizem que a palavra Shofar é derivada de duas palavras hebraicas: Shor + Par (touro e boi); mas o chifre de um touro não pode servir para um Shofar, pois nos lembra do pecado do Bezerro de Ouro.

Não temos em Israel carneiros e antílopes com chifres adequados para a produção de Shofar. Os chifres são trazidos de vários locais do mundo, a maior parte do Marrocos, Argélia e países do sul da África.

A Classificação Inicial

Os chifres chegam em toneladas de volume, que são enviadas para Israel por mar. São trazidos em sua forma natural, como estavam na cabeça do animal. A cobertura do chifre é rude, falta brilho e o osso do chifre ainda está em seu interior.

Há muito desperdício em chifres, qualquer quebra ou fissura desqualifica o Shofar. A maior parte dos chifres chega quebrado e alguns, podres. Meros trinta por cento dos chifres alcançam o estágio de processamento e qualquer arranhão no processo será decisivo, pois poderá quebrar o chifre e ser desperdiçado.

Produtores de Shofar procuram receber chifres fortes, de pelo menos meio metro, pois durante a produção haverá um considerável desgaste. Cada chifre pesa aproximadamente 1-2 kg.

Separando o osso da cobertura do chifre

Após a classificação inicial, começa um processo complexo no qual a cobertura do chifre é separada do osso em seu interior. O Shofar é feito apenas da cobertura do chifre. A propósito, a cobertura do chifre é feita da mesma substância de nossas unhas.

A separação é difícil e necessita de talentos especiais para não quebrar o Shofar. Como é feito? Bem, este é um dos segredos da profissão!

Desqualificado or Qualificado (kosher)

Após a cobertura ter sido separada do osso, o chifre é novamente examinado se pode ser qualificado para produzir um Shofar. Qualquer chifre com uma fissura ou um orifício penetrando em sua parte interior é desqualificado. Se o orifício ou a fissura forem superficiais, o chifre é “kosher”. Não se faz nenhum remendo, pois segundo as instruções escritas, o chifre precisa ser “Hakol Mimino”, ou seja, sem nenhuma substância estranha (remendar um Shofar usando a mesma substância é muito caro e é feito apenas em casos especiais, quando a pessoa é particulamente apegada a um certo Shofar e não está preparada para desistir deste).

Esterilização

Neste estágio, os chifres kosher são colocados num forno a fim de esterilizá-los de qualquer criatura viva que possa ter ficado em seu interior. O chifre é uma substância orgânica, portanto insetos, larvas e outras pestes pode destruí-lo com o passar do tempo.

Endireitando o Shofar

Agora chegamos na fase mais difícil – endireitar o chifre. O chifres são muito retorcidos e precisam ser endireitados. O Shofar ashkenazita é liso em seu início e torcido no final, enquanto o sefaradita prefere um chifre liso, apontando para cima. Por que esta preferência pelo chifre liso? Temos uma explicação do produtor de Shofar, Zvika Bar-Sheshet: no passado, os judeus da Espanha não tinham permissão de carregar ou usar o Shofar, portanto era necessário escondê-lo nas calças. Um formato liso tornava isto possível.

Muito esforço é despendido no endireitamento do Shofar, portanto o Shofar sefaradita é mais caro (três vezes mais). Muitas vezes o trabalho é massivo e a cada segundo o Shofar pode se quebrar neste processo.

Fazendo o Bocal – Afiando e Polindo

Enquanto o chifre é endireitado, o bocal é preparado de acordo com as várias tradições.

No final, o chifre é polido numa máquina, até que se torne lustroso e brilhante. O produtor de Shofar se inclina por horas perto do forno e da máquina de polir, num trabalho exaustivo.

Ornamentação

Alguns clientes pedem Shofars com adornos de símbolos judeus, como a Estrela de Davi ou a Menorá. No passado, os sábios permitiam a gravação de versículos, letras ou formatos do Shulhan Arukh.

Ajuste de Som

E após todo este difícil processo, chegamos finalmente no estágio de ajuste do som do Shofar!

Como é feito? Claro, isto também é um segredo profissional!

O som é ajustado pelo produtor de acordo com os requisitos do cliente e da preferência de cada comunidade. Cada comunidade étnica judaica tem seu tipo preferido de Shofar e de som.

Diferentes Shofars trazem distintos tipos de som: grosso, áspero, fino e lamurioso. O processo de fabricação do Shofar e seu tipo afeta o som que produzirá.

Foto 1: Chifre de carneiro. Da coleção Bar-Sheshet

Foto 2: Chifre de vaca, desqualificado para Shofar. Da coleção Bar-Sheshet

Foto 3: Chifres de carneiro em estado bruto, como chegam no ateliê. Da coleção Bar-Sheshet

Foto 4: Cobertura do chifre, após ser removida do osso. Da coleção Bar-Sheshet

Foto 5: Chifre de carneiro ”kosher” antes da esterilização. Da coleção Bar-Sheshet

Foto 6: Chifre de carneiro após ter sido endireitado, em comparação com seu estado natural. Da coleção Bar-Sheshet

Foto 7: Bocal do Shofar após processamento. Da coleção Bar-Sheshet

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