O Shofar é mencionado 72 vezes na Bíblia, em vários contextos e funções.

Na Revelação do Sinai, o fortíssimo som de um Shofar, que impactou o povo, foi ouvido entre estrondos e raios. Eis a descrição no Livro do Êxodo (19, 16-19):

16…“Ao amanhecer do terceiro dia houve trovões e raios, uma densa nuvem cobriu o monte, e uma trombeta ressoou fortemente. Todos no acampamento tremeram de medo. ”

17…“Moisés levou o povo para fora do acampamento, para encontrar-se com Deus, e eles ficaram ao pé do monte.”

18…“O monte Sinai estava coberto de fumaça, pois o Senhor tinha descido sobre ele em chamas de fogo. Dele subia fumaça como que de uma fornalha; todo o monte tremia violentamente.”

19…“E o som da trombeta era cada vez mais forte. Então Moisés falou, e a voz de Deus lhe respondeu.”

O papel do Shofar na descrição do recebimento da Torá no Monte Sinai é a mais forte expressão da natureza mágica, supranatural e encantadora do Shofar, que teve um grande impacto no imaginário popular através dos tempos.

Na descrição das conquistas de Josué e do povo de Israel, os muros de Jericó caíram após o toque dos Shofars. Assim está escrito no Livro de Josué (6, 1-20) sobre a conquista de Jericó e a queda de suas muralhas:

“1 Jericó estava completamente fechada por causa dos israelitas. Ninguém saía nem entrava.
2 Então o SENHOR disse a Josué: “Saiba que entreguei nas suas mãos Jericó, seu rei e seus homens de guerra. 3 Marche uma vez ao redor da cidade, com todos os homens armados. Faça isso durante seis dias. 4 Sete sacerdotes levarão cada um uma trombeta de chifre de carneiro * à frente da arca. No sétimo dia, marchem todos sete vezes ao redor da cidade, e os sacerdotes toquem as trombetas. 5 Quando as trombetas soarem um longo toque, todo o povo dará um forte grito; o muro da cidade cairá. ”

Em várias passagens da Bíblia, o Shofar é concebido como um instrumento usado pelo próprio Deus:

“Então o Senhor aparecerá sobre eles, Sua flecha brilhará como o relâmpago. O Soberano, o Senhor, tocará a trombeta…” (Zechariah 9:14).

O sinal é dado com o Shofar, é o símbolo de Deus, é a voz de Deus.

O Shofar é mencionado na Bíblia também em outros eventos e imagens ligados a poder, terror e medo.

O Shofar era usado usualmente para os seguintes própositos militares::

  • Sinalizar e alertar: Eúde e Neemias usam-no para reunir seus homens (Juízes 3:27; Neemias 4:12-14).
  • Armamento para amedrontar o inimigo (Juízes 7:22)
  • Anunciar a vitória (1Samuel 13:3)
  • Anunciar rebelião (2Samuel 20:1)
  • Cessar a batalha (2Samuel 20:22)
  • Sinal de alerta da aproximação do inimigo (Jeremias 4:21; Oseias 5:8; e outros)

O profeta é comparado a um sentinela tocando o Shofar para alertar o povo (Ezequiel 33:1-6).

Os Shofars do sentinela e do exército são unidos na descrição do Dia do Senhor (Sofonias 1:16).

Também está escrito: “E naquele dia soará uma grande trombeta” (Isaías 27:13).

Era costume tocar o Shofar em coroações, como na história de Absalão (2 Samuel 15:10) e de Jeú (2 Reis 9:13), bem como na coroação de Deus sobre todo o universo (Salmo 47:6; 68:6).

O Shofar é mencionado nas ocasiões de festivais e culto, como no momento da vinda da Arca da Aliança (2 Samuel 6:15) e do arrependimento de Asa e do povo (2 Crônicas 15:14).

Tekiah e Teruah

O shofar é mencionado frequentemente junto com trombetas em eventos ligados a festivais e ao culto, como na ocasião em que a Arca da Aliança foi levado pelo Rei Davi a Jerusalém: “Assim, todo Israel fez subir com júbilo a Arca da Aliança do Senhor, ao som de clarins, trombetas e címbalos, fazendo ressoar alaúdes e harpas” (1 Crônicas 15:28) ou na sugestão do salmista (Salmo 98:6): “Com cornetas e ao som da trombeta, exultem diante do Senhor, o Rei”.

Esta proximidade entre a trombeta e o Shofar também é expressa nos verbos e gerúndios comuns: as palavras Tekiah e Teruah são usadas tanto para trombeta quanto para Shofar.

Após a Destriuição do Segundo Templo

Após a destruição do Segundo Templo e na Diáspora, o Shofar perdeu seu significado público e estratégico, mas reteve seu papel ritual, particularmente no Rosh Hashanah e no Yom Kippur.

Da época que precedeu a destruição do Segundo Templo, temos o testemunho de Philo de Alexandria ** a respeito do uso do Shofar no Rosh Hashanah e do seu significado. O testemunho deste filósofo é de grande importância para os pesquisadores da atualidade. A utilização do Shofar no Rosh Hashanah e Yom Kippur é influenciada pelos princípios de seu uso nos tempos bíblicos.

* (= carneiro) às vezes, a palavra Shofar é aproximada à palavra Yovel (jubileu) ou combinando-se as duas, como Keren Hayovel (Chifre do Jubileu) (Josué 6:4,5,6,8). Às vezes, a palavra Yovel é sinônimo de Shofar (Êxodo 19:13). (Yovel ou Yevel, em caananita, equivale a carneiro)
** Sobre os Mandamentos, Livro B, Traduzido de: Yom Tov Levinsky – Book of the Holidays A, p. 52.
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